Historia do carro Santana

Veterano, Santana passa dos 20 anos reinando entre os taxistas

O desenho é ultrapassado, mas a resistência mecânica e preço atraente fazem dele um dos preferidos de quem não liga para o visual
Ele surgiu primeiramente como um carro voltado para um público emergente. Trazia equipamentos e um “jeitão” extremamente luxuoso para os padrões da Volkswagen na época. De lá para cá, porém, o Santana perdeu um bocado de status. Hoje, exatos 20 anos enfrentando as ruas brasileiras, o modelo é utilizado principalmente por frotistas e taxistas.

   A história do Santana brasileiro teve início com o lançamento do Audi 100, sucesso de vendas no Velho Continente. O modelo da Audi serviu de inspiração para a Volks começar a produção da segunda geração da família Passat na Europa, que agrupava as versões perua Variant, hatchback e sedan Santana. No Brasil, por sua vez, a expectativa da Volks era atingir um público mais sofisticado com o lançamento do carro, o que não acontecia com o “veterano” e mais popular Passat nacional.

   Lançado em junho de 1984, o Santana chegou ao mercado para concorrer no segmento dos sedans médios-grandes e tinha como rivais a versão sedan do Chevrolet Monza e o Ford Del Rey. Disponível em duas ou quatro portas e motor 1.8 a gasolina, o modelo podia receber, opcionalmente, alguns itens de conforto, como transmissão automática, direção hidráulica e ar-condicionado. Com o sucesso do modelo, em 1985 a Volkswagen passou a produzir a perua Quantum, somente com quatro portas. Em 1987, a linha Santana ganhou uma versão 1.8 a álcool, com câmbio de quatro marchas. Foi nesse ano também que recebeu novos logotipos e pára-choques.

   Durante as duas décadas de vida, a linha Santana sofreu várias mudanças estéticas. A primeira aconteceu em 1988, quando foi lançada a versão 2000. No ano seguinte, o carro ganhou nova série especial, batizada de Evidence. Já em 1990 surgiu outra versão especial, a Executive, com injeção eletrônica de combustível.

   Mas foi em 1991, com o início da chegada dos importados, que o modelo começou a perder vendas mais rapidamente. A Volkswagen, então, resolveu mudar o carro, mas não queria investir num modelo completamente novo. A encomenda da fábrica para o setor de design foi: modernizar o carro mas sem mexer na estrutura. E assim foi feito: toda a casca mudou, com exceção das portas – que são caras de produzir e influenciam diretamente na estrutura do monobloco.

   De qualquer jeito, o carro abandonou o desenho “quadradão”, cresceu 4,5 cm no comprimento e 1,5 cm na altura, e ficou mais moderninho, com um design mais arredondado. Dois anos depois, o Santana ganhava nova série especial – Sport –, disponível apenas com duas portas. Atualmente, o carro mantém o design da última “plástica”, bem sutil, que aconteceu no modelo 1999. A idéia desta mexida foi aproximá-lo ao desenho do Passat alemão vendido no Brasil na época. Pára-choques, grade e spoiler se tornaram uma peça única, as lanternas traseiras receberam um novo desenho e os jurássicos quebra-ventos foram retirados das portas.

   Em todos estes anos, o habitáculo do Santana foi tentando se adaptar às exigências de equipamentos do mercado. Agregou direção hidráulica progressiva, em 1989, fechamento automático dos vidros ao fechar as portas, em 1993, e brake-light, em 1994. Além disso, estreou o ABS entre os modelos nacionais. Mesmo assim, as vendas foram emagrecendo paulatinamente. Em 2002, a Volks encerrou a produção da perua Quantum. E mesmo hoje já não oferece os itens de conforto e segurança exigidos pelo mercado.

   Sob o capô, o primeiro Santana era equipado apenas com um motor 1.8 de 92 cv de potência. Atualmente, o carro conta com um propulsor 1.8 de 99 cv, mas também tem uma versão a álcool, primeiramente lançada em 1987, que rende 103 cv. Já a versão mais potente é equipada com um motor de 2.0 litros e 114 cv. Mas já há algum tempo, a Volkswagen se conformou com a idéia de vender para frotistas e táxis. Tanto que tem uma versão 1.8 a gasolina que sai da concessionária com kit de GNV instalado. A iniciativa ajuda a se manter bem no mercado, com uma média de 500 unidades mensais. Vendas melhores que de carros mais modernos, como o Chevrolet Vectra e Fiat Marea.


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