E o Santana desafia o tempo...

E o Santana desafia o tempo

Ele tem carroceria e acabamento antiquados, mas é o preferido dos brasileiros. Saiba por que esse Volkswagen faz tanto sucesso.

Há 18 anos, o Santana chegava ao mercado como o carro  da Volkswagen. De lá pra cá, enfrentou diversos concorrentes, desceu de posto – disputando na prática com os carros médios em razão do preço-, viu sua versão station (Quantum) sair de linha, mas ainda continua forte como nunca. No último mês de maio, ele detonou seus concorrentes, liderando novamente no segmento dos carros grandes. Suas dimensões externas realmente o colocam como carro grande, mas por dentro ele está atualmente mais para médio grande. Não ganha, por exemplo, do Brava em distâncias de conforto, sendo vítima da má angulação da coluna A, que às vezes atrapalha a visão, e mesmo do pára-brisa, que é estreito e alto demais. O Santana é hoje para a Volks o que o Uno é para a Fiat. Entabula vendas e mês após mês tem sua procura aumentada. No último mês de maio, o Santana foi o veículo grande mais vendido no país e na maioria dos estados, a exemplo de Minas Gerais. Aqui se tem para o Uno a liderança, esse posto vai para o Santana no nicho dos carros grandes. Mesmo se comparado à maioria dos médios, o Volkswagen dá bordoadas em quase todos. Em maio, foram licenciados no país 713 Mareas, 1.007 Vectras e 1.773 Santanas. Entre os médios, só perde para o Astra (3.504) e o Civic (1.845), encostando nesse último, empatando tecnicamente com o Focus (1.796) e desbancando outros médios como Brava, Polo, Megane, Xsara.

Nem todos elogiam

O carro grande da Volks é o grande carro do mercado, tirando elogios rasgados de seus proprietários e também algumas críticas ácidas, como a do gerente administrativo da Câmara Municipal de Contagem, Natalino de Freitas, que tem um modelo que, segundo ele, só lhe deu dor de cabeça. “Meu Santana é uma novela sobre quatro rodas. Fiz uma odisséia com ele por diversas concessionárias até que voltou para ser consertado na própria fábrica. Ele tinha um problema sério de infiltração de água e poeira que só foi resolvido pela fábrica”, afirma. Fora um ou outro caso isolado, a maioria das pessoas adoram o Santana. Ele tem conforto de carro grande graças ao bom conjunto de suspensão, é barato, inclui diversos opcionais e é imbatível na relação custo/benefício, além de ser “dinheiro na mão” na hora da revenda. O Santana atual é praticamente idêntico ao modelo reestilizado em 1991. Sua teimosa dupla de quebra-ventos só foi eliminada em 1999 e a adoção do motor 2.0 em 1988 foi o grande estopim de vendas do Santana, além, claro, da vinda da versão perua do modelo, a Quantum, já descontinuada.

É espaçoso, mas o acabamento...

Os taxistas são os maiores clientes do Santana. Mesmo antiquado, muitos gostam do seu estilo, mas reclamam do acabamento, que ficou a dever frente a seus concorrentes Vectra e Marea. O desempenho dos motores AP 1.8 e 2.0 é elogiado por todos; mesmo grandalhão, não perde em economia para nenhum do segmento. O nível de ruído interno ainda é criticado, provavelmente em razão da quantidade enorme de acabamento e encaixes plásticos. Longa vida ao Santana.

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